“Está morrendo à espera de diagnóstico”, diz irmã de paciente que aguarda transferência no HPS João Lúcio
Redação Amazonas em Notícias 2 de dezembro de 2025 0 COMMENTS
Familiares procuraram a redação do portal Amazonas em Notícias para denunciar o descaso que Leilian de Souza, está passando. A mulher está internada em busca de um diagnóstico há um mês e dez dias no Hospital João Lúcio, em Manaus e passa pelo descaso e negligência no Hospital.
Conforme Luciane Souza, irmã de Leilian, a familia vive uma rotina de medo e incerteza enquanto a jovem luta contra um quadro grave onde a suspeita é de que seja púrpura, uma doença autoimune que afeta drasticamente as plaquetas do sangue e pode causar hemorragias fatais.
Sem um diagnóstico fechado e sem acesso ao atendimento especializado necessário, Leilian permanece em estado delicado, aguardando a definição de um tratamento que, segundo os médicos, depende de exames que ainda não foram realizados por falta de comunicação entre os hospitais públicos do Estado.
O drama se intensificou após uma sequência de falhas de organização e troca de informações entre o Hospital João Lúcio, Hemoam e o Hospital Getúlio Vargas — unidades de referência que recusaram receber Leilian justamente pela ausência de diagnóstico conclusivo.
Segundo Luciane, a jovem deveria realizar uma biópsia nesta quarta-feira, procedimento indispensável para confirmar a doença e permitir a transferência para uma unidade com hematologista. Contudo, o exame foi cancelado após o Hemoam informar, somente nesta terça-feira( 2) pela manhã, que a paciente deveria estar com pelo menos 30 mil plaquetas para ser submetida ao procedimento. Leilian, no entanto, está com apenas 4 mil plaquetas, nível considerado crítico e extremamente perigoso.
Com a informação chegando tarde demais, a biópsia não acontecerá e Leilian segue sem diagnóstico fechado.
“Minha irmã está correndo risco de vida. Estamos implorando para que alguém tome providências. Como pode uma paciente ficar mais de um mês internada e nenhum hospital aceitar porque falta diagnóstico, sendo que o próprio sistema de saúde do Estado não consegue organizá-lo?”, desabafa Luciane, que denuncia descaso, desinformação e abandono por parte do poder público.
A família cobra explicações do Governo do Amazonas e da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), responsáveis pela regulação, encaminhamento e oferta de atendimento especializado. Para eles, é inaceitável que uma paciente grave, dependente de cuidados hematológicos urgentes, permaneça presa em um limbo burocrático entre hospitais que não se comunicam.
“Queremos saber quem será responsabilizado caso algo aconteça. Estamos vendo a saúde dela piorar e ninguém nos dá respostas. O Amazonas precisa assumir sua responsabilidade”, afirma Luciane.
Enquanto espera por uma vaga e por profissionais capacitados para tratar seu quadro autoimune, Leilian segue internada no Hospital João Lúcio, lutando para sobreviver em meio à instabilidade clínica e às falhas estruturais do sistema público. A família insiste que não deseja privilégios, apenas atendimento digno, rápido e humanizado — algo que deveria ser garantido a qualquer cidadão.
O caso evidencia as fragilidades do sistema de saúde estadual, que, diante de um quadro grave, não consegue garantir fluxo, comunicação eficiente nem acesso ao especialista necessário. A reportagem entrou em contato com a SES-AM e questionou sobre a demora nos exames e transferência, mas até a publicação desta matéria não houve retorno.
Laryssa Gomes Tavares Repórter policial e diretora executiva do portal Amazonas em Notícias







