Conheça o coelho-de-Amami pré-histórico que ainda vive no Japão
Redação Amazonas em Notícias 17 de fevereiro de 2026 0 COMMENTS
Em meio às florestas densas das ilhas de Amami Ōshima e Tokunoshima, no sul do Japão, vive uma das espécies mais curiosas e antigas do planeta: o Coelho-de-Amami, apelidado de “coelho gótico” por causa da pelagem escura e da aparência incomum.
Diferente dos coelhos tradicionais, com orelhas longas e corpo esguio, essa espécie apresenta orelhas curtas, corpo robusto e patas fortes, características consideradas primitivas. Por isso, é frequentemente chamado de “fóssil vivo”, já que mantém traços evolutivos de milhões de anos atrás.
Uma linhagem antiga
Pesquisadores apontam que o coelho-de-Amami pertence a uma linhagem muito antiga dentro da família dos leporídeos. Sua morfologia preserva características que já desapareceram em outras espécies modernas, o que o torna peça importante para estudos sobre evolução.
Isolado geograficamente nas ilhas japonesas, o animal conseguiu sobreviver por milhares de anos praticamente sem contato externo — fator que ajudou a manter suas particularidades biológicas.
“fóssil vivo”. Estudos indicam que ele pode ser descendente direto do gênero Pliopentalagus, um grupo de coelhos primitivos que surgiu no continente asiático há cerca de seis milhões de anos e desapareceu do registro fóssil no final do Pleistoceno.
Isso significa que o pequeno habitante das ilhas Ryukyu carrega em seu DNA características de uma linhagem ancestral que resistiu ao tempo.
Hábitos noturnos e vida na floresta
O coelho-de-Amami é estritamente noturno. Durante o dia, permanece escondido em tocas profundas escavadas no solo. À noite, sai para se alimentar de gramíneas, folhas, brotos e frutos.
Totalmente adaptado à vida nas florestas densas, o coelho-de-amami tem hábitos estritamente noturnos. Durante a madrugada, ele percorre a mata em busca de alimento: no verão, come gramas e samambaias; no inverno, sua dieta é baseada em nozes e bolotas.
Suas garras são uma das adaptações mais impressionantes. Longas, retas e extremamente resistentes, permitem que ele escave tocas profundas no solo acidentado das colinas, servindo como abrigo contra predadores e intempéries.
Essas mesmas garras também ajudam na locomoção em terrenos íngremes, mostrando como sua anatomia é especializada para o nicho que ocupa.
Suas garras longas auxiliam tanto na escavação quanto na locomoção em terrenos irregulares. A adaptação ao ambiente florestal fechado explica também sua pelagem espessa e escura, que ajuda na camuflagem.
Espécie ameaçada
Apesar de sua longa história evolutiva, o coelho-de-Amami enfrenta sérios riscos. A destruição do habitat por desmatamento, expansão agrícola e urbanização reduziu significativamente sua área de ocorrência.
Além disso, a introdução de predadores como mangustos e cães selvagens aumentou a pressão sobre a espécie. Hoje, o animal é classificado como ameaçado de extinção, Estima-se que existam entre 2 mil e 4,8 mil indivíduos em Amami Ōshima, enquanto na pequena Tokunoshima a população é de apenas cerca de 400 animais.
As principais ameaças atuais são a perda de habitat causada pelo desmatamento comercial, a expansão agrícola e o avanço urbano. Essas mudanças fragmentam o ecossistema, isolando grupos e dificultando a reprodução.
A espécie depende de um mosaico de florestas jovens e maduras para sobreviver, a ausência de qualquer um desses estágios florestais compromete suas funções biológicas básicas.
Além disso, a introdução de espécies exóticas, como mangustos, representa um perigo constante para os ninhos e filhotes. Com população estimada em poucos milhares de indivíduos.
O governo japonês reconheceu sua importância ecológica e cultural, declarando-o monumento natural e estabelecendo medidas de proteção.
Um símbolo de conservação
Raro e pouco visto, o “coelho gótico” tornou-se símbolo da biodiversidade japonesa e da importância da preservação ambiental. Sua existência reforça como espécies isoladas podem guardar capítulos inteiros da história evolutiva da Terra.
Mais do que uma curiosidade exótica, o coelho-de-Amami representa um alerta: a sobrevivência de espécies ancestrais depende diretamente da proteção dos ecossistemas onde vivem.
*Com informações da SoCientífica
Leia Mais:
Laryssa Gomes Tavares Repórter policial e diretora executiva do portal Amazonas em Notícias
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