
Morte de 46 migrantes dentro de caminhão em San Antonio, nos Estados Unidos, evidencia perigos aos quais migrantes estão sujeitos na busca por uma vida melhor.
Em questão de dias, ocorreram duas tragédias mortais envolvendo pessoas que tentaram cruzar fronteiras internacionais.
Na sexta-feira (24), pelo menos 23 pessoas morreram quando uma enorme multidão tentou atravessar uma cerca na fronteira do Marrocos para o enclave espanhol de Melilla, no norte da África. Três dias depois, nos Estados Unidos, a polícia da cidade de San Antonio encontrou os corpos de pelo menos 46 pessoas dentro de um caminhão abandonado.
O número de travessias nas maiores rotas de migração do mundo parece estar aumentando após os efeitos causados pela pandemia de covid-19, que levou vários países a introduzir restrições rígidas de entrada.
Isso possivelmente resultará em um número crescente de mortes, alertam especialistas. A Organização Internacional para as Migrações (OIM), uma agência da ONU, estima que desde 2014 quase 50 mil migrantes morreram ou desapareceram tentando chegar a destinos como os EUA ou a União Europeia. A agência acredita que o número real de mortos e desaparecidos pode ser ainda maior.
Mas quais são as rotas mais perigosas do mundo para os migrantes? E por quais motivos?
Segundo a OIM, esta é a rota mais mortal do mundo para os migrantes. Estima-se que mais de 19,5 mil pessoas morreram tentando atravessar o Mar Mediterrâneo do norte da África para a Europa desde 2014
.As tentativas de travessia geralmente ocorrem em embarcações improvisadas e superlotadas, como botes de borracha, que tornam a viagem perigosa e potencialmente mortal.
As embarcações são frequentemente pilotadas por gangues criminosas e traficantes de pessoas.
Na Tunísia, que ao lado da Líbia é o principal ponto de partida para os migrantes que tentam chegar à Europa pela rota do Mediterrâneo central, há até um cemitério reservado para aqueles que se afogam no mar.
“Ver esses túmulos aqui me deixa muito triste”, disse Vicky, uma imigrante nigeriana que espera fazer a viagem partindo da Tunísia, à agência de notícias AFP, enquanto visitava o cemitério.
“Quando vejo isso [as sepulturas], não tenho mais certeza de que quero fazer a travessia marítima”, acrescentou.
Agências como a OIM temem que outros migrantes não sejam dissuadidos.
“As partidas de migrantes no Mediterrâneo central continuam. A maior preocupação é o número continuamente alto de mortes nesta travessia marítima mais perigosa do mundo. Continua a ceifar vidas na ausência de ações concretas dos Estados”, disse Safa Msehli, porta-voz da OIM.
A Frontex, a Agência Europeia da Guarda Costeira e de Fronteiras, informa que quase 300 mil pessoas foram resgatadas tentando usar essa rota desde 2015.
Para muitos migrantes africanos, o sonho de chegar à Europa começa com uma viagem pelo próprio continente que muitas vezes envolve uma longa travessia do deserto do Saara, a caminho dos países do norte da África.
As duras condições ambientais são uma grande ameaça: a OIM estima que a travessia do Saara foi responsável pela morte de quase 5,4 mil pessoas entre 2014 e 2022.
“No deserto, você vê pessoas morrendo. Alguns morrem porque ficam sem energia. Outros, de sede”, disse Abdullah Ibrahim, um migrante, à agência de notícias AFP sobre sua experiência de travessia.
Outra grande ameaça para os migrantes são as muitas gangues de tráfico de pessoas que atuam na região.







