Seca dos rios acende alerta logístico em Manaus: soluções existem, mas são caras
Redação Amazonas em Notícias 18 de julho de 2025 0 COMMENTS
A nova vazante dos rios amazônicos reacendeu a preocupação dos setores produtivos com a logística de abastecimento e escoamento de mercadorias no Amazonas. Todos os principais rios da bacia amazônica iniciaram processo de descida dos níveis, o que traz à tona os mesmos desafios enfrentados em 2023 e 2024, durante as secas históricas.
Segundo especialistas e empresários ouvidos pela Rede Onda Digital, apesar das estratégias adotadas nas últimas crises terem permitido superar os obstáculos logísticos, os custos operacionais aumentaram consideravelmente — e agora é hora de buscar soluções definitivas.
O professor Augusto Barreto Rocha, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), criticou o Plano Nacional de Logística de Transportes (PNLT), alegando que o projeto agrava desigualdades ao priorizar obras que ignoram as necessidades da região Norte. Para ele, a infraestrutura deve preceder e estimular a economia local, com foco em políticas públicas voltadas para a correção das assimetrias regionais.
Já Jerry Nelson, agente portuário responsável pela medição do rio Amazonas pela ANA (Agência Nacional de Águas), destaca que o município de Itacoatiara deveria receber mais atenção nos planos logísticos do Estado. “O rio Amazonas é navegável o ano inteiro em Itacoatiara. Mesmo na seca extrema de 2024, o canal principal mantinha quase 70 metros de profundidade e recebeu navios de todos os tamanhos”, lembrou.
Soluções emergenciais, mas custosas
Um executivo do Polo Industrial de Manaus ressaltou que as estratégias adotadas nas secas anteriores — como o transbordo de cargas em Itacoatiara e o uso de portos flutuantes na Costa do Tabocal — foram eficazes, mas aumentaram significativamente os custos de operação.
“Essas alternativas funcionam, mas elevam o preço da matéria-prima e dos produtos finais que saem da capital”, afirma o executivo.
Aderson Frota, presidente da Federação do Comércio do Estado do Amazonas (Fecomércio-AM), aponta que o impacto no comércio é direto: preços mais altos para o consumidor. Segundo ele, uma saída viável seria diversificar os modais de entrada e saída de mercadorias, o que permitiria aos comerciantes oferecer valores mais acessíveis.
Situação atual dos rios
De acordo com o boletim hidrológico da ANA, os principais rios da bacia amazônica já apresentaram queda nos níveis. Confira:
- Rio Negro (em Manaus): baixou 2 cm, marcando 28m87cm;
- Rio Solimões (em Tabatinga): caiu 10 cm, registrando 9m44cm;
- Rio Amazonas (em Itacoatiara): redução de 1 cm, com cota de 14m22cm;
- Rio Madeira (em Porto Velho): vazou 24 cm, atingindo 7m74cm.
*Com Informações Do Onda Digital
Leia Mais:
Laryssa Gomes Tavares Repórter policial e diretora executiva do portal Amazonas em Notícias







