Aproximação com Maduro causa mal-estar e atrapalha planos de Lula em unir continente
Redação Amazonas em Notícias 31 de maio de 2023 0 COMMENTS
Foto: Ricardo Stuckert/Palácio do Planalto
A questão da Venezuela eclipsou os esforços do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para promover a integração dos países sul-americanos em torno de objetivos comuns. Lula foi anfitrião de um encontro de cúpula nesta terça (30/5) que recebeu outros 10 chefes de Estado em Brasília e falou de metas ambiciosas, como a criação de moeda para o continente negociar com o resto do mundo.
No entanto, a presença de Nicolás Maduro e a defesa pública que o petista fez do mandatário venezuelano se tornaram o assunto principal e fonte de desacordo entre líderes vizinhos.
Um dia antes da cúpula dos chefes de Estado, na segunda (29/5), Lula recebeu Maduro para um encontro bilateral no Palácio do Planalto e minimizou as denúncias de violação dos direitos humanos na Venezuela. Para o presidente brasileiro, Maduro e seu regime seriam vítimas de uma “narrativa” sobre ausência de democracia.
A defesa aberta de Lula ao venezuelano incomodou parte dos presidentes convidados para o encontro do dia seguinte. A voz mais dura a se levantar contra o discurso do brasileiro foi a do mandatário do Uruguai, Luis Lacalle Pou, que transmitiu pelo Instagram as críticas a Lula feitas em reunião fechada no Palácio Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores do Brasil.
“Todos já sabem o que pensamos a respeito da Venezuela e ao governo da Venezuela. Agora, se há tantos grupos no mundo que estão tratando de mediar para que a democracia seja plena na Venezuela, para que se respeitem os direitos humanos, para que não haja presos políticos, o pior que se pode fazer é tapar o sol com um dedo”, disparou o presidente uruguaio, que é de centro direita.
O outro presidente a levantar a voz contra a fala de Lula, porém, é de esquerda, como o brasileiro: o chileno Gabriel Boric. Na mesma reunião que tinha apenas os chefes de Estado do continente, Boric afirmou que é “impossível fazer vista grossa para as violações de direitos humanos na Venezuela”.
Apesar de ter dito ser positiva a presença de Maduro em organismos multilaterais, Boric frisou que não se pode “colocar para debaixo do tapete ou fazer vista grossa sobre assuntos que são de princípios importantes”. E continuou: “Discordo do que Lula disse ontem, de que a situação de direitos humanos na Venezuela é uma construção narrativa. Não é uma construção narrativa, é uma realidade”.
As falas de Lacalle Pou e Boric fizeram pesar o clima na reunião e esfriaram a ideia de Lula de reviver um organismo multilateral entre os países sul-americanos, como foi a Unasul, vigente em seus mandatos anteriores e sepultada definitivamente na gestão de Jair Bolsonaro (PL).
Lula não volta atrás
A polêmica em torno da Venezuela se tornou o principal assunto de uma entrevista coletiva que Lula concedeu a jornalistas brasileiros e estrangeiros ao final da reunião de cúpula, já na noite de terça. Na ocasião, Lula não mostrou arrependimento e tentou valorizar as críticas dos presidentes do Uruguai e do Chile como naturais.
“Ninguém é obrigado a concordar com ninguém”, disse Lula.
“Houve muito respeito com a participação do Maduro. Os que fizeram críticas as fizeram no limite da democracia”, avaliou o mandatário brasileiro, que voltou a usar a palavra “narrativa” para classificar as críticas ao regime venezuelano.
“Todo mundo sabe o que eu falo e todo mundo sabe o que eu penso. Em política, toda vez que você quer destruir um adversário, a primeira coisa que você faz é construir uma narrativa negativa dele”, disse Lula.
Ele citou a expressão narrativa também para se referir ao ex-presidente venezuelano Hugo Chávez (já falecido), padrinho político do próprio Maduro, que foi vice no último mandato de Chávez e o substituiu na Presidência.
Com informações do Metrópoles
Laryssa Gomes Tavares Repórter policial e diretora executiva do portal Amazonas em Notícias





