Dois dias após Bolsonaro, Mauro Cid depõe à PF sobre vacinas e em meio a polêmicas de rachadinha
Redação Amazonas em Notícias 18 de maio de 2023 0 COMMENTS
Preso desde o último dia 3 de maio, o tenente-coronel do Exército Mauro Cesar Barbosa Cid, que foi ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), prestará depoimento na sede da Polícia Federal no início da tarde desta quinta-feira (18/5). Ele deve ser questionado principalmente sobre a acusação de fraudes nos cartões de vacina dele mesmo, de sua família, e de Bolsonaro e da filha de 11 anos do ex-presidente. Outros assuntos espinhosos, provavelmente, estarão na pauta, como movimentações financeiras dos antigos ocupantes do Palácio da Alvorada e os atos golpistas de 8 de janeiro.
As suspeitas de caixa 2 e de “rachadinha” com recurso do Planalto envolvendo o coronel Cid e Michelle Bolsonaro foram reveladas no início do ano, nas reportagens O caixa 2 de Jair Bolsonaro no Planalto e Segredos do Alvorada, dos repórteres Rodrigo Rangel e Sarah Teófilo, do Metrópoles.Cid será confrontado com as provas colhidas pela PF, de que ele teria participado ativamente em um esquema de adulteração de dados de vacinação contra a Covid-19 para gerar certificados falsos para ele mesmo e seus familiares, além de Bolsonaro e sua filha.O depoimento de Bolsonaro na PF sobre o mesmo tema, dois dias antes, aumentou a pressão sobre Cid, pois seu ex-chefe negou responsabilidade ou mesmo conhecimento sobre o suposto esquema de fraude, e disse que o militar era o único responsável pela gestão de seu aplicativo ConectSUS, do Ministério da Saúde, que foi acessado no período em que continha dados falsos sobre vacinação.
TrocaEssa estratégia ficou clara em entrevista do primeiro advogado contratado por Cid, Rodrigo Roca, que trabalha para a família Bolsonaro e tratou de tentar livrar o ex-presidente dos fatos investigados desde o primeiro momento. O episódio não foi bem digerido pela família de Cid, cujo pai é general da reserva do Exército, e Roca acabou trocado pelos advogados Bruno Buonicore e Bernardo Fenelon, este último especializado em delações premiadas.Pessoas próximas ao ex-ajudante de ordens indicam que ele pode vir a admitir ter fraudado os cartões de vacina de si e de sua família com a justificativa de poder viajar a trabalho e de férias sem ter de tomar um imunizante no qual não confia. O que ele dirá sobre Bolsonaro, porém, é um mistério.A admissão de culpa no caso também será a estratégia de outro dos presos, o capitão da reserva do Exército Sérgio Cordeiro, ex-assessor de Bolsonaro e outro dos seis presos na operação de 3 de maio. Segundo o colunista Guilherme Amado, do Metrópoles, Cordeiro pretende confessar ao Ministério Público Federal o crime de adulteração do cartão de vacina, fechando um acordo de não persecução penal, válido para crimes sem violência e com pena baixa.
Com informações do Metrópoles
Laryssa Gomes Tavares Repórter policial e diretora executiva do portal Amazonas em Notícias





