Estudo aponta mutações genéticas em filhos de trabalhadores expostos ao desastre do Desastre nuclear de Chernobyl
Redação Amazonas em Notícias 18 de fevereiro de 2026 0 COMMENTS
Quase quatro décadas após o acidente na usina de Chernobyl, um novo estudo científico identificou alterações genéticas em descendentes de trabalhadores que atuaram na contenção da tragédia nuclear, ocorrida em 1986, na então União Soviética.
A pesquisa, publicada na revista Scientific Reports, analisou o DNA de filhos de pessoas que foram expostas à radiação durante as operações de limpeza e controle do acidente. Os cientistas encontraram um tipo específico de alteração chamada mutações de novo em cluster (cDNMs) — grupos de mutações que aparecem no material genético dos filhos, mas não estavam presentes no DNA dos pais.
Segundo os pesquisadores, essas alterações podem estar associadas a danos provocados pela radiação ionizante, que teria causado quebras no DNA dos trabalhadores. Embora o organismo possua mecanismos de reparo, parte dessas correções pode ter ocorrido de forma imperfeita, deixando marcas que foram transmitidas à geração seguinte.
Para chegar aos resultados, a equipe comparou o genoma de três grupos: descendentes de trabalhadores de Chernobyl, filhos de profissionais potencialmente expostos à radiação em outras circunstâncias e um grupo de controle composto por pessoas sem histórico conhecido de exposição. O número médio de mutações agrupadas foi significativamente maior entre os descendentes ligados ao acidente nuclear.
Apesar da descoberta, os especialistas ressaltam que o risco de desenvolvimento de doenças relacionadas a essas mutações é considerado baixo. A presença das alterações genéticas não significa, necessariamente, que os indivíduos apresentarão problemas de saúde.
O estudo contribui para esclarecer um debate científico que se estende desde os anos seguintes ao desastre: se os efeitos da radiação poderiam ultrapassar a geração diretamente exposta. Agora, os resultados indicam que há, sim, uma “assinatura genética” associada à exposição, embora com impacto clínico limitado.
A pesquisa reforça a importância do monitoramento contínuo de populações expostas a ambientes radioativos e amplia o entendimento sobre como a radiação pode influenciar o DNA humano ao longo do tempo.
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Laryssa Gomes Tavares Repórter policial e diretora executiva do portal Amazonas em Notícias







