Criança morre após atendimento em hospital e documentos apontam falhas em condutas médicas em Manaus
Redação Amazonas em Notícias 26 de novembro de 2025 0 COMMENTS
Um menino identificado como Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, morreu após uma sequência de atendimentos no Hospital Santa Júlia, em Manaus, na noite do dia 22 para 23 de novembro. Documentos internos do hospital — incluindo prescrições, registros de enfermagem e anotações médicas — mostram divergências de conduta entre profissionais, tentativas malsucedidas de intubação e rápida piora no quadro clínico após administração de adrenalina intravenosa.
Conforme os registros do hospital, o paciente deu entrada às 13h28 do dia 22/11 e, às 13h48, recebeu medicações prescritas por um médico plantonista, entre elas adrenalina, solução fisiológica, dexametasona e hidroxyzina. Minutos depois, segundo relatório digitado por um profissional da enfermagem, outra médica pediatra teria orientado a administração de adrenalina “EV puro”, o que foi seguido pela equipe.

O documento relata que, logo após a administração, a criança apresentou taquicardia, palidez e dificuldade respiratória, sendo transferida imediatamente para a sala vermelha, onde iniciou monitorização cardíaca e suplementação de oxigênio. Também é registrado que o médico da UTI pediátrica pediu a troca do sistema de O2 para máscara de Venturi, buscando melhor ventilação.

Ainda segundo o relato de enfermagem, havia desacordos entre profissionais sobre a conduta, e a equipe afirma ter seguido a prescrição médica, sem desconsiderar orientações dos familiares.

Tentativas de intubação sem sucesso
Nas horas seguintes, o quadro do menor evoluiu com piora respiratória. Os documentos apontam que foram realizadas “algumas tentativas de intubação” por uma médica da equipe, mas sem sucesso. Outro médico conseguiu realizar o procedimento apenas por volta de 00h20, quando o paciente já estava instável e apresentava sangramento ativo em vias aéreas.
Paradas cardiorrespiratórias e óbito
O prontuário mostra que a criança entrou em parada cardiorrespiratória diversas vezes, sendo reanimada em algumas delas. Uma gasometria realizada às 02h10 indicava valores considerados “incompatíveis com a vida”. Mesmo após correção com bicarbonato e mais de 15 minutos de tentativas para recuperar a saturação de oxigênio, o paciente continuou com níveis críticos — abaixo de 50% — e sem resposta às manobras de reanimação.
Às 02h55, o óbito foi declarado.
Caso passa a ser investigado pela Polícia Civil
A família procurou as autoridades policiais, e o caso já está sendo investigado pelo 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), que deve analisar os documentos médicos, ouvir profissionais envolvidos e esclarecer eventuais responsabilidades pela morte da criança.
Dados profissionais apresentados nos registros
Um dos documentos anexados apresenta informações do cadastro profissional de uma médica citada no relatório interno. O registro oficial indica que ela possui CRM ativo no Amazonas e não tem especialidade registrada. A informação aparece porque a profissional é mencionada nos documentos que compõem a linha do tempo do atendimento.
Caso gera questionamentos
Os registros internos revelam uma cronologia de condutas médicas e reações do paciente que levantam questionamentos sobre:
- A indicação e forma de administração da adrenalina;
- O tempo entre o início da piora clínica e a intubação efetiva;
- A divergência de condutas entre profissionais;
- A resposta da equipe durante as paradas cardiorrespiratórias.
Com a investigação policial em andamento, familiares aguardam esclarecimentos oficiais e possíveis responsabilizações.
Laryssa Gomes Tavares Repórter policial e diretora executiva do portal Amazonas em Notícias
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