Frota de sondas da Nasa em Marte envelhece e preocupa cientistas sobre o futuro da exploração do planeta
Redação Amazonas em Notícias 26 de outubro de 2026 0 COMMENTS
Com equipamentos que acumulam até 25 anos de operação, agência perdeu contato com a sonda MAVEN em dezembro de 2025; novo satélite de comunicação deve reforçar a infraestrutura espacial até 2030.
A frota de sondas que mantém contato com a Terra e coleta informações sobre Marte está envelhecendo, o que pode representar desafios para a continuidade da exploração do planeta vermelho. Algumas das principais espaçonaves em órbita marciana acumulam mais de duas décadas de operação, enquanto a perda de contato com a sonda MAVEN reduziu a quantidade de equipamentos disponíveis para pesquisas e transmissão de dados.
De acordo com informações divulgadas pelo D24AM nesta segunda-feira (26), Marte já chegou a contar com oito orbitadores ativos de diferentes países e agências espaciais. Após a perda da MAVEN, o número caiu para sete, sendo dois operados pela Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos.
O cenário chama a atenção porque os orbitadores desempenham funções essenciais para a exploração científica, como mapear a superfície, estudar a atmosfera e transmitir informações coletadas por robôs que percorrem o solo marciano.
Sondas acumulam décadas de operação
Entre os equipamentos mais antigos está a Mars Odyssey, da Nasa, que chegou à órbita de Marte em 2001 e completou 25 anos de operação em 2026. Também estão entre as espaçonaves veteranas a Mars Express, da Agência Espacial Europeia, com aproximadamente 23 anos, e a Mars Reconnaissance Orbiter, da Nasa, que acumula cerca de 20 anos no planeta.
Embora tenham ultrapassado suas missões iniciais previstas, essas sondas continuam sendo importantes para a produção científica.
Entretanto, permanecer por tanto tempo no espaço apresenta desafios. As espaçonaves enfrentam variações extremas de temperatura, radiação solar e desgaste de componentes, fatores que podem comprometer seus sistemas e reduzir a confiabilidade dos equipamentos ao longo dos anos.
Perda da MAVEN reduziu a frota da Nasa
A situação ganhou destaque após a Nasa perder contato com a sonda MAVEN em 6 de dezembro de 2025, quando ela reapareceu após passar por trás de Marte. A espaçonave havia chegado à órbita do planeta em setembro de 2014.
A missão foi encerrada oficialmente em 3 de junho de 2026, depois que uma comissão de análise concluiu que não seria possível recuperar a sonda. Segundo informações divulgadas pela própria Nasa, dados disponíveis indicaram que a MAVEN estava girando de maneira anormal após o incidente, o que pode ter provocado o esgotamento das baterias e a interrupção das comunicações.
Durante mais de 11 anos, a missão estudou a atmosfera superior de Marte e a interação do planeta com o Sol e o vento solar. Esses dados ajudam os cientistas a compreender como Marte perdeu parte de sua atmosfera ao longo de bilhões de anos.
Além das pesquisas científicas, a MAVEN também funcionava como retransmissora de dados entre veículos robóticos na superfície marciana e a Terra.
Comunicação é essencial para novas missões
Os orbitadores não servem apenas para observar Marte do espaço. Eles também recebem informações de veículos como os robôs Curiosity e Perseverance e retransmitem os dados para as equipes na Terra.
Esse sistema de comunicação permite que cientistas acompanhem descobertas, enviem instruções aos equipamentos e planejem novas operações. A infraestrutura orbital também contribui para identificar regiões adequadas e mais seguras para futuros pousos.
A redução da frota aumenta a importância dos equipamentos restantes e reforça a necessidade de substituir satélites antigos antes que novas falhas comprometam as operações científicas.
Apesar da perda da MAVEN, a Nasa informou que outros orbitadores continuam exercendo funções de retransmissão. A agência também trabalha para ampliar a capacidade de comunicação em Marte.
Blue Origin foi escolhida para fornecer novo satélite
Em setembro de 2026, a Nasa selecionou a empresa Blue Origin, fundada por Jeff Bezos, para desenvolver um novo orbitador de telecomunicações destinado a Marte. O contrato prevê a entrega da espaçonave até 31 de dezembro de 2028.
A iniciativa faz parte de um projeto para estabelecer uma rede de comunicação mais moderna, com maior capacidade de transmissão de dados e suporte à navegação de missões atuais e futuras.
Segundo a agência espacial, a nova estrutura deverá entrar em operação em Marte até 2030, fortalecendo a infraestrutura necessária para ampliar as pesquisas robóticas e preparar futuras missões de exploração humana.
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Laryssa Gomes Tavares Repórter policial e diretora executiva do portal Amazonas em Notícias
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