Ibama considera pirarucu espécie invasora fora da Amazônia e decisão repercute
Redação Amazonas em Notícias 23 de março de 2026 0 COMMENTS
A decisão do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis de classificar o pirarucu como espécie exótica invasora fora da região amazônica gerou forte repercussão entre produtores e representantes do setor aquícola no Brasil.
Considerado um dos principais destaques da piscicultura brasileira, o pirarucu apresenta produção já consolidada em diversos estados e amplo potencial de crescimento tanto no mercado interno quanto no exterior. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontam que, em 2024, a produção nacional alcançou cerca de 1,7 milhão de quilos, com maior representatividade nos estados de Rondônia, Pará e Amazonas.
A medida, formalizada por meio de normativa recente, estabelece que o peixe — considerado nativo da Amazônia — passa a ser tratado como invasor quando cultivado em outras regiões do país. Na prática, isso pode resultar em restrições para criação, transporte e comercialização fora do seu habitat natural.
O pirarucu é uma das espécies mais valorizadas da piscicultura nacional, com crescimento significativo nos últimos anos. Sua produção se expandiu para além da região Norte, impulsionada pelo alto valor comercial e pela adaptação a sistemas de cultivo.
Com a nova classificação, produtores demonstram preocupação com possíveis restrições à criação e comercialização do pirarucu fora da região amazônica, o que pode impactar diretamente investimentos já realizados e o planejamento do setor aquícola.
A decisão também pegou de surpresa representantes da cadeia produtiva, uma vez que o tema ainda estava em debate em instâncias técnicas. Para a Associação Brasileira da Piscicultura, houve falta de diálogo e alinhamento institucional antes da publicação da norma.
Segundo o presidente da entidade, Francisco Medeiros, a medida gera insegurança e contradições nas políticas públicas. Ele argumenta que o pirarucu é uma espécie brasileira e que classificá-lo como exótica fora da Amazônia pode criar distorções jurídicas e conceituais.
Outro ponto que preocupa o setor é o precedente que a decisão pode abrir. Produtores avaliam que outras espécies amplamente cultivadas, como tilápia e tambaqui, também podem ser alvo de futuras restrições, ampliando o cenário de incerteza regulatória.
Além disso, representantes da piscicultura apontam possíveis inconsistências na própria atuação do órgão ambiental, já que o pirarucu também aparece em listas de espécies ameaçadas em determinados contextos, ao mesmo tempo em que passa a enfrentar limitações fora de sua área de origem.
Diante desse cenário, a Associação Brasileira da Piscicultura defende a revisão da medida e maior participação do Ministério da Pesca e Aquicultura nas discussões. A entidade ressalta a importância de políticas públicas construídas com base técnica, diálogo institucional e previsibilidade, garantindo maior segurança aos produtores.
A expectativa é de que o tema continue em debate nas próximas semanas, com possibilidade de reavaliação da norma e ampliação do diálogo entre o governo e o setor produtivo.
Com a nova classificação, produtores demonstraram preocupação com possíveis impactos econômicos e regulatórios. Entidades do setor apontam que a medida pode gerar insegurança jurídica, além de afetar investimentos já realizados na criação do peixe em outras regiões do Brasil.
Representantes da cadeia produtiva também criticam a falta de diálogo antes da publicação da norma, destacando que o pirarucu vinha sendo incentivado como alternativa de desenvolvimento econômico em diferentes estados.
Outro ponto levantado é o receio de que a decisão abra precedentes para que outras espécies amplamente cultivadas, como tambaqui e tilápia, também passem por restrições semelhantes no futuro.
Por outro lado, especialistas da área ambiental defendem a medida, argumentando que a introdução de espécies fora de seu habitat natural pode causar desequilíbrios ecológicos, afetando espécies nativas e alterando o funcionamento dos ecossistemas aquáticos.
Diante da repercussão, o tema deve continuar em debate entre órgãos ambientais, produtores e o setor público, com expectativa de possíveis ajustes ou revisões na regulamentação.
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Laryssa Gomes Tavares Repórter policial e diretora executiva do portal Amazonas em Notícias







