Moradores protestam contra instalação de aterro sanitário em Iranduba
Redação Amazonas em Notícias 16 de fevereiro de 2026 0 COMMENTS
Moradores de comunidades rurais, lideranças indígenas e representantes políticos realizaram, na manhã deste domingo (15), uma manifestação contra a construção de um novo aterro sanitário em Iranduba, município situado a cerca de 20 quilômetros de Manaus.
O projeto é executado pela empresa Norte Ambiental Tratamento de Resíduos Ltda.. Segundo os manifestantes, o local escolhido para a instalação fica nas proximidades das comunidades Membro Catalão e do ramal do Cachoeira do Castanho — áreas conhecidas pela forte atividade agrícola, presença de balneários e crescimento de empreendimentos turísticos e imobiliários.
Impacto social e econômico
Durante o ato, o professor e vereador André Gomes, morador da comunidade Membro Catalão, criticou a iniciativa e afirmou que o empreendimento pode atingir diretamente milhares de pessoas.
“Estamos aqui como sociedade civil organizada defendendo nossa comunidade. Esse projeto não traz benefício algum para quem vive aqui. São mais de cinco mil pessoas que podem ser impactadas”, declarou.
O parlamentar destacou a preocupação com a permanência das famílias na região e com a possível desvalorização das propriedades. Segundo ele, agricultores, pequenos produtores, comerciantes e donos de restaurantes temem prejuízos econômicos caso o aterro entre em funcionamento.
“A economia local depende da produção agrícola, dos balneários e do turismo. Muitas famílias vivem do que plantam e colhem. Se houver contaminação ou queda no movimento, todo mundo perde”, afirmou.
Risco ambiental e fontes de água
Outro participante do protesto, o professor Marcos Góes Filho, alertou para possíveis impactos ambientais. Ele mencionou a existência de cerca de 74 fontes de água na área que, segundo ele, poderiam ser comprometidas em caso de vazamento de resíduos ou contaminação do solo.
“São aproximadamente duas mil famílias no entorno que seriam diretamente afetadas. Temos dezenas de fontes que abastecem moradores e propriedades rurais. Qualquer dano ao lençol freático pode gerar um problema irreversível”, ressaltou.
Marcos também apontou que a região está situada em rota aérea utilizada por aeronaves que chegam ao município, o que, na avaliação dele, exigiria estudos técnicos mais aprofundados.
Destinação de resíduos e debate antigo
Moradores afirmam que existe preocupação quanto ao volume de resíduos que poderá ser destinado ao aterro. Segundo relatos de lideranças locais, há receio de que o espaço receba lixo não apenas de Iranduba, mas também de outras cidades, ampliando significativamente a quantidade de material descartado.
A mobilização contra o empreendimento, segundo os organizadores, já ocorre há cerca de cinco anos, com reuniões, audiências públicas e outros atos de resistência.
Os manifestantes pedem que o poder público reavalie a localização do projeto, apresente estudos ambientais detalhados e garanta transparência no processo de licenciamento. Também solicitam maior diálogo com as comunidades diretamente impactadas.
Até o momento, a empresa responsável e os órgãos competentes não se pronunciaram durante o ato. O debate sobre a implantação do aterro deve seguir nas esferas municipal e estadual, em meio ao embate entre a necessidade de ampliar a gestão de resíduos e a preservação ambiental e econômica da região.
Laryssa Gomes Tavares Repórter policial e diretora executiva do portal Amazonas em Notícias







