Operação Erga Omnes desvenda ligação política com facção criminosa no AM
Redação Amazonas em Notícias 20 de fevereiro de 2026 0 COMMENTS
Uma operação deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas revelou indícios de ligação entre integrantes do poder público e o crime organizado no estado. Batizada de Operação Erga Omnes, a ação teve como alvo um núcleo investigado por atuar em favor de uma facção criminosa com influência em Manaus e no interior.
De acordo com as investigações, o grupo utilizava posições estratégicas na administração pública para facilitar a atuação da organização criminosa, além de intermediar movimentações financeiras consideradas suspeitas. A apuração aponta ainda possíveis práticas de lavagem de dinheiro e apoio logístico a atividades ilícitas.
Oito pessoas foram presas, enquanto o total chega a 14 detidos em diferentes estados. Segundo a polícia, o grupo usava influência em órgãos públicos para obter informações sigilosas e facilitar ações da organização criminosa.
Entre os presos estão um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas, apontado por repassar dados de processos sob segredo de Justiça; ex-assessoras parlamentares; uma investigadora da Polícia Civil que atua na Prefeitura de Manaus; um policial militar; além de outros investigados por participação no esquema financeiro. Um dos casos envolve suspeita de movimentação de cerca de R$ 1,5 milhão por meio de empresas de fachada, conforme a apuração.
Diante da repercussão, o Tribunal de Justiça do Amazonas informou que já adotou medidas administrativas internas em relação ao servidor preso e reafirmou que não compactua com desvios de conduta, destacando o compromisso com a legalidade e a transparência.
Parlamentares citados por vínculos funcionais passados com investigados também se posicionaram. O vereador Rodrigo Guedes afirmou que a ex-servidora mencionada atuou em seu gabinete entre 2022 e 2024, em funções técnicas, e que não integra a equipe há dois anos. Segundo ele, à época da contratação, não havia qualquer impedimento legal ou registro que indicasse conduta irregular.
O deputado estadual Elissandro Bessa declarou que a ex-assessora citada exercia exclusivamente funções técnicas e jurídicas no gabinete, sem atuação externa ou política, ressaltando que eventuais condutas fora do ambiente institucional são de responsabilidade pessoal da profissional.
O vereador Raulzinho informou, por meio de assessoria, que não irá se manifestar neste momento e deve tratar do assunto em sessão plenária.
A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) também divulgou nota esclarecendo que não se responsabiliza por atos praticados por servidores fora do âmbito institucional e reiterou o compromisso com a ética e as normas do serviço público.
Durante a operação, foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão em diferentes endereços. Entre os investigados estão pessoas que exerceram funções em órgãos públicos, o que ampliou a repercussão do caso no meio político e institucional.
Autoridades afirmaram que o esquema investigado demonstra uma tentativa de infiltração do crime organizado em estruturas governamentais, com o objetivo de obter vantagens e proteção institucional. A Polícia Civil informou que as diligências continuam para identificar outros possíveis envolvidos e aprofundar a análise do material apreendido.
A operação provocou reação de representantes do poder público, que defenderam rigor na apuração e responsabilização dos envolvidos, caso as suspeitas sejam confirmadas pela Justiça. O caso segue sob investigação.
Leia Mais:
Laryssa Gomes Tavares Repórter policial e diretora executiva do portal Amazonas em Notícias







